O ator Luís Salém (61) não pensou duas vezes antes de aceitar o convite de Manuela Dias (48) para viver o icônico mordomo Eugênio no remake global de Vale Tudo. Mesmo morando em Salvador, na Bahia, há quase dez anos, ele viu o retorno ao Rio de Janeiro, e também às novelas, como uma oportunidade de se reaproximar de amigos de longa data, dos telespectadores e, claro, do ofício na telinha.
– Participar de uma novela tão importante para a teledramaturgia brasileira é animador. Eu nem precisei rever para lembrar de tudo. Uma outra coisa que me deixou muito animado foi o convite da Manuela Dias. Eu a conheci ainda menina, dirigi o primeiro espetáculo dela. Me animou demais poder ter esse reencontro. Além disso, a possibilidade de voltar ao Rio de Janeiro e passar essa temporada aqui revendo amigos e fazendo novos é ótima.
– Por que passou esse tempo afastado?
– Acho que, na TV, a gente depende muito mais de um convite do que da nossa vontade. Não pintaram convites para mim. Me afastei das novelas, mas ainda fiquei um bom tempo trabalhando no Zorra Total. Depois eu fui fazer quatro temporadas seguidas de Homens São de Marte, É para Lá Que Eu Vou, com Mônica Martelli, no GNT. Isso me ocupou até antes da pandemia. Minha vida foi indo, caminhando, e assim foi até pintar esse convite.
– Você vive na Bahia há quase dez anos, certo? O que te levou para lá?
– Por volta de 2017, estava vivendo um momento meio difícil. Tinha perdido minha mãe, perdido amigos próximos. Estava muito triste aqui no Rio de Janeiro, cansado de estar aqui. Você começa a pensar que existe uma finitude na vida, então decidi aproveitar o tempo que eu tiver daqui para frente para ser feliz. Eu tinha uma relação muito afetiva com a Bahia. Salvador foi o primeiro lugar para onde eu viajei com minha mãe. É um lugar que dá para ir e voltar do Rio em uma hora, manter o laço. Salvador é um caldeirão cultural. O Brasil começa lá e acho que as coisas acontecem muito por lá. O movimento cultural de Salvador sempre me encantou. Não me arrependo de nada. Comecei a desenvolver um trabalho social junto a uma ONG de capacitação de jovens da periferia de Salvador para o mercado audiovisual e também para o teatro. Me gratifica demais poder ajudá-los.
– Qual o desafio de interpretar um personagem já consagrado por outro ator — Sérgio Mamberti — sem cair na repetição?
– Eu conheci o Sérgio Mamberti. Nós fizemos um quase casal em Anjo Mau. Era um ator divino, compôs o seu Eugênio como ninguém, com maestria. Nessa nova versão de Vale Tudo, a Manuela abriu mão de algumas características desse personagem, como a citação cinematográfica, que era muito marcante no Eugênio da primeira versão. Eu acho que ela está investindo mais, de uma forma geral, na humanidade dos personagens.
– Como está sendo a recepção do público?
– As pessoas vêm falar comigo, gostam, entendem que o Eugênio não tem mais as citações cinematográficas, mas tem um afeto, uma relação amorosa muito grande com a Heleninha. Quem atravessa esse tipo de problema precisa sempre de um apoio. O Eugênio é essa pessoa que está ali ao lado dela.





