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Em Alagoas, casca de coco seco vira matéria-prima para substratos agrícolas

Em Coruripe, a Ecoeponto transforma o resíduo do fruto maduro em pó de coco lavado, fibra e produtos para cultivo e jardinagem. A meta da empresa é alcançar 2.000 sacos de pó lavado por dia

A casca que sobra do beneficiamento do coco seco ganha outro destino no litoral sul de Alagoas. Na Ecoeponto Agroindustrial, em Miaí de Cima, no município de Coruripe, o material é processado para obtenção de fibra e pó de coco. Depois de lavado e peneirado, o pó é comercializado como componente para substratos usados na produção de mudas e no cultivo de plantas.

O foco da operação é a casca do coco seco, ou seja, do fruto maduro, e não a casca do coco verde consumido pela água. Segundo a empresa, a matéria-prima vem de sítios, fazendas e de uma rede de catadores da região. O aproveitamento abre uma possibilidade de renda para a cadeia local e dá uso a um resíduo que, sem destinação adequada, pode se acumular ou ser descartado irregularmente.

Além do pó de coco, a empresa produz fibras e peças como mantas, vasos e estacas para jardinagem. São diferentes formas de aproveitar a parte fibrosa da casca, que permanece após a retirada do coco destinado ao consumo ou ao processamento.

Coco seco também gera um grande volume de resíduos

A discussão sobre descarte costuma destacar o coco verde, mas o coco seco também deixa uma quantidade expressiva de cascas. Em publicação de 2018, a Embrapa estimou a geração anual de cerca de 700 mil toneladas de casca de coco seco no Brasil. O cálculo utilizou dados de produção do IBGE de 2015 e hipóteses sobre a participação dos frutos secos e verdes na colheita. É uma estimativa histórica, não uma medição atual do descarte.

Esse resíduo pode fornecer matéria-prima para a agricultura. A Embrapa descreve o pó obtido da casca de coco seco como um material com capacidade de retenção de água e potencial de uso na composição de substratos. A aplicação, porém, exige preparo e avaliação das características do produto.

A lavagem é uma etapa importante

Não basta triturar a casca e colocar o material no recipiente de cultivo. O pó de coco pode apresentar sais solúveis em concentrações inadequadas para determinadas plantas. Para o material obtido da casca seca e destinado a substratos, a Embrapa recomenda a lavagem e o acompanhamento da condutividade elétrica, medida que indica a concentração de sais na solução analisada.

A intensidade do tratamento depende das características do material e da água utilizada. Por isso, o produtor deve verificar a condutividade elétrica, o tamanho das partículas e a adequação do lote à cultura. Não existe um número de lavagens que garanta, por si só, o mesmo resultado para todos os produtos.

O pó da casca de coco pode substituir a turfa ou a vermiculita em determinadas formulações de substrato. Isso não significa que seja equivalente a qualquer mistura pronta, nem que dispense adubação. O desempenho depende da composição do substrato, da irrigação e do manejo nutricional.

Mercado em expansão, com pressão sobre custos

O mercado brasileiro de substratos para plantas faturou R$ 517,2 milhões em 2025, alta de 22,8% em relação a 2024, segundo o Anuário 2026 da Associação Brasileira das Indústrias de Tecnologia para Produção Vegetal, a Abisolo. A entidade atribui o avanço principalmente ao aumento dos preços, pressionados pela escassez de matérias-primas importadas. O volume comercializado cresceu 4,2%.

Nesse cenário, a produção nacional de componentes para substratos é uma alternativa a ser avaliada por viveiristas e produtores. A comparação precisa considerar a composição do produto, a qualidade do lote e o custo entregue na propriedade, incluindo o frete. Pó de coco lavado e substrato formulado não são produtos automaticamente equivalentes.

O desafio de ampliar a produção

Segundo a Ecoeponto, a equipe reúne 22 funcionários e a meta é alcançar 2.000 sacos de pó de coco lavado por dia. A ampliação envolve desafios de coleta, processamento e logística. A lavagem utiliza água e gera efluentes que precisam de manejo adequado; o transporte de um material volumoso também pesa no custo final.

A fábrica fica em Coruripe, enquanto o atendimento comercial em Santo Antônio de Posse, próximo ao polo de Holambra, em São Paulo, aproxima a empresa do mercado de flores, mudas e jardinagem.

Para quem compra, a decisão deve combinar análise técnica e custo: verificar as características do lote, testar o material na própria cultura e comparar produtos de composição semelhante. Em Coruripe, a proposta é dar uma nova utilidade à casca do coco seco, transformando um resíduo do beneficiamento do fruto em matéria-prima para outros cultivos. Saiba mais na redes @ecoeponto.

Sobre a empresa: www.ecoeponto.com.br